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Audiodescrição Cartaz

O Toque como Experiência Estética

Esta exposição integra um ciclo de mostras bianuais promovidas pelo Centro Português de Tiflologia, Equidade e Inclusão, no âmbito das actividades do Museu da Tiflologia instalado no complexo do Convento de São Francisco da Fundação Nossa Senhora da Esperança. No contexto deste ciclo, a Fundação convida periodicamente artistas a desenvolver trabalho a partir de um enquadramento sensorial específico, cabendo à curadoria a concepção das condições de mediação, acessibilidade e relação entre obra, espaço e público.


Este ciclo propõe uma reflexão sobre a experiência artística a partir dos diferentes sentidos humanos, procurando ampliar as formas de relação entre obra, espaço e público.


Em edições anteriores, as exposições exploraram dimensões sensoriais como o olfacto e a audição. Nesta edição, o foco desloca-se para o toque, entendido não apenas como um meio de acesso à informação sobre a obra, mas como uma via plena de experiência estética.


Ao contrário do que acontece na maioria dos contextos expositivos, onde o contacto físico com as obras é geralmente interdito, nesta exposição todas as peças foram concebidas para poderem ser tocadas. Esta possibilidade decorre da própria abordagem do artista, cuja prática valoriza a dimensão material e táctil da forma escultórica.


A diversidade de materiais presentes nas obras cria um campo rico de exploração sensorial.
Madeira polida e madeira natural, pedra, resina e metal oferecem superfícies, temperaturas e resistências distintas, permitindo que o visitante perceba as diferenças entre volumes, texturas e densidades através do contacto directo. A experiência táctil torna-se assim um meio privilegiado de compreender a construção formal das peças.


Mesmo as pinturas apresentadas na galeria foram pensadas tendo em conta esta dimensão sensorial. As seis obras expostas possuem o contorno da imagem realçado através de relevo em tinta de chumbo, permitindo que a estrutura da composição seja reconhecida pelo toque e que o visitante possa percorrer com os dedos os limites e ritmos da imagem.


Neste contexto, a exposição foi concebida a partir de um princípio de curadoria de acessibilidade. Este conceito não se limita à eliminação de barreiras, mas propõe uma abordagem curatorial em que as condições de acesso à obra — tocar, percorrer, ouvir,
aproximar, contornar — são pensadas como parte integrante do próprio projecto expositivo. A acessibilidade não surge aqui como um complemento à exposição, mas como uma das suas estruturas fundamentais, influenciando a forma como as obras são apresentadas, como o espaço é organizado e como o público é convidado a relacionar-se com a arte.


Neste enquadramento, o toque deixa de ser apenas uma estratégia de acessibilidade e passa a constituir um elemento central da experiência artística. A exposição propõe assim uma aproximação à obra que valoriza a materialidade, o gesto exploratório e a percepção táctil como formas legítimas e ricas de encontro com a arte, afirmando a acessibilidade como um
princípio curatorial e não apenas como uma adaptação técnica.

Aceda ao Assistente da Exposição

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PALHAÇOS E TITRES

PALHAÇOS E TITRES Luísa Rodrigues “Começaram por aparecer em duas carroças muito velhas e mal atamancadas...Uma já tinha sido azul e a outra encarnada. Os pertences faziam um monte enorme, tudo tapado com um bocado de cretone às rosas, desbotado e atado com cordéis. Sentados em cima desse monte enorme, 4 garotos muito ranhosos com os cabelos sujos e emaranhados. As roupas que vestiam, sempre suspeitei que de tanto surro, quando as despissem ficariam em pé... Presos nos taipais, em ganchos de arame, chocalhavam tachos, frigideiras panelas de alumínio amolgadas e pretas do lume de chão. Atados por baixo da carroça 3 ou 4 cães, escanzelados, seguiam e paravam ao compasso do andamento das mulas magras. Em frente das carroças com as arreatas na mão seguiam os adultos. Um homem e uma mulher, precocemente envelhecidos, parecia que caminhavam a dormir...com os olhos fixos no nada...um pé depois do outro. Diante da minha casa há um pequeno largo e era aí que paravam para que os miúdos descessem e pegassem nuns tamborzinhos muito velhos... A mãe atava a mula detrás à carroça da frente, tomava as arreatas do animal dianteiro guiando as duas carroças ao mesmo tempo, punha o cortejo em marcha... Os garotos posicionavam-se em frente às carroças, começavam a tocar uns rufos meio descompassados e lá iam pela aldeia, com o pai aos gritos para uma espécie de funil gigante: - Chegaram os palhaços e os titres! Hoje, no Terreiro, depois das 8 da noite! Cães amestrados...malabaristas…contorcionistas e uma mulher que cospe fogo!...” […] Junho 2001

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