1882 - FOUGÈRE ROYALE - Houbigant 

 

Esta história começa no século XVIII, quando em 1775, o perfumista Jean-François Houbigant criou a loja A La Corbeille des Fleurs, na Rue du Faubourg Saint Honoré, em Paris, especializada em ramalhetes de flores, luvas e perfumes. Já em 1807, Houbigant tornou-se perfumista do imperador Napoleão e criou um perfume, especialmente, para Josefina, a imperatriz. Em 1838, Houbigant foi apontado como “Perfumista de Sua Majestade, Rainha Victoria do Reino Unido” e, em 1890, o czar Alexandre III nomeou a casa como perfumista oficial da Corte Imperial da Rússia.

 

Nada mais lógico, portanto, do que a Houbigant Paris, já sob a direção do perfumista Paul Parquet tenha criado, em 1882, o FOUGÈRE ROYALE, que revolucionou o mundo dos perfumes e estabeleceu as bases da perfumaria moderna como existe hoje, extraindo e isolando moléculas sintéticas de matérias-primas naturais. O FOUGÈRE ROYALE inaugura também uma nova classificação de perfumes, os de estilo fougère, com a mistura de essências meticulosa, a partir de bergamota, lavanda e ervas do Mediterrâneo; seguem-se essências raras de rosas, enriquecidas com pimenta, cravo e canela; finalmente, notas de musgo se unem ao aroma sensual do patchouli, entre outros ingredientes.Os fougères durante muito tempo ficaram conhecidos como perfumes masculinos, mas recentemente têm atraído o público feminino e tornou-se uma das classes mais populares de perfumes.

 

Notas de saída: bergamota, ervas mediterrâneas, lavanda, camomila

Notas de coração: rondeletia, gerânio, rosas de Maai, canela, cravo

Notas de fundo: âmbar, musgo de carvalho, cumarina, patchouli, feijão de Tonka, sálvia

 

1889 – JICKY - Guerlain 

 

Lançado em 1889, mesmo ano da abertura ao público da Torre Eiffel e do Moulin Rouge, em Paris, e da Proclamação da República, no Brasil (o perfume, curiosamente, tem em sua composição, o pau-brasil) é um marco na era moderna da perfumaria. Na época de seu lançamento, a propaganda assim dizia: “Jicky, le parfum se rit du temps qui passe...” (o perfume que ri do passar do tempo).

 

Até o surgimento do JICKY os perfumes eram compostos por uma única nota: rosa, jasmim ou sândalo, por exemplo. Aimé Guerlain foi o primeiro perfumista a criar uma estrutura complexa com vários ingredientes, o primeiro a querer provocar emoções, para além de aromas.

O nome JICKY tem duas versões para sua origem: a de que que era o apelido do tio querido do perfumista, Jacques, que iria criar em 1925 o famoso perfume Shalimar, também para a Guerlain; a outra versão aponta para o nome de Jaqueline, por quem Aimé Guerlain teria se apaixonado (mas nunca se casou).

 

Notas de saída: alecrim, bergamota, limão e tangerina.

Notas de coração: lavanda, fava tonka, raiz de orris ou lírio florentino, manjericão e jasmim.

Notas de fundo: baunilha, couro, especiarias, benjoim, sândalo, âmbar e pau-brasil.

1921 - CHANEL Nº 5 

 

O mais famoso e o mais vendido perfume de todos os tempos, desde o seu lançamento, acaba de completar 100 anos. Tornado público em 5 de maio de 1921 é o primeiro perfume a ter o nome de um estilista – Gabrielle “Coco” Chanel. O nº 5 deve-se ao facto de ter sido a 5ª versão apresentada, além de ser o número de sorte de Chanel (e foi também a data de seu lançamento!).

 

Em 1921, Mademoiselle Chanel – como era conhecida – já tinha imposto o seu estilo ousado e de forte personalidade no mundo da moda parisiense. À época, os ofícios de estilista e perfumista eram atividades bem distintas; daí, Chanel ter solicitado uma fórmula a Ernest Beaux, o outrora perfumista da corte dos czares da Rússia (já retirados do poder em 1917). 

 

Chanel, que definia a fragrância como "um perfume com cheiro de mulher", foi também pioneira a ser ela própria a ilustrar um anúncio do perfume publicado na revista Harper 's Bazaar, em 1937.

 

O perfume foi eternizado pela atriz norte-americana Marilyn Monroe que declarou, em 1954, numa entrevista, que ela só usava (como roupa de dormir...) “2 gotas de Chanel nº 5”

 

De Carole Bouquet a Nicole Kidman, o perfume sempre foi representado por belas e glamourosas mulheres. O frasco foi desenhado pela estilista, mas teve cinco variantes no correr de um século, sempre atentas à simplicidade do original.  O perfume tem 80 componentes, entre os quais, jasmins de Grasse (região da França famosa por produzir essências), sândalo, flores raras do Oriente e pau-rosa.

 

Notas de saída: ylang-ylang, neroli, aldeídos e lírio-do-vale.

Notas de coração: rosa de Mai e jasmim

Notas de fundo: vetiver, baunilha e sândalo.

 

1930 – JOY - Jean Patou 

 

JOY é um perfume floral de intenso aroma, criado por Henri Alméras para o importante costureiro francês Jean Patou, em 1929; este foi o ano do crash da Bolsa de Valores de Nova York, que colocou o mundo de cabeça para baixo e no qual a rica clientela do costureiro perdeu boa parte de suas fortunas. No entanto, o “mais exclusivo e caro perfume de mulher" teve um sucesso retumbante (com seu frasco desenhado pelo arquiteto francês Louis Sue) e foi eleito, pelo público, "o aroma do século" numa pesquisa de 2000. Para cada 30 ml do Joy são necessárias nada menos do que 10 mil flores de jasmim e 28 dúzias de rosas. 

 

A marca foi comprada pelo grupo Procter & Gamble, em 2001, e, em 2018, revendido grupo LVMH (Louis Vuitton Moet Hennessy), que também adquiriu os direitos do nome e lançou outro perfume como Joy de Dior.

 

Notas de saída: ylang-ylang, tuberosa, aldehydes, green-notes, peach rose

Notas de coração: lírios do vale, jasmim, rosa búlgara, orquídea orris

Notas de fundo: musk, civet e sândalo

1932 - TABU - Dana 

 

"Tabu, a fragrância proibida" era o slogan deste perfume criado, em 1932, pelo francês Jean Charles para a Casa Dana, perfumaria fundada em Barcelona e, posteriormente, transferida para Paris. Mais tarde, durante a ocupação alemã de Paris, nos anos 40, a Dana mudou-se para os Estados Unidos.

 

Há duas lendas sobre a origem do nome do perfume. A oficial, conta que o espanhol Javier Serra, fundador de Dana, caminhava numa rua da cidade francesa de Nice quando viu, na vitrine de uma livraria, a capa do livro “Totem e Tabu”, de Freud; inspirado na famosa obra, criou o nome de seu perfume. A outra lenda diz que Javier teria pedido ao perfumista Jean Charles "para fazer um perfume que uma prostituta usasse".  Escolha a história que mais lhe apeteça...

 

Com uma nota excepcionalmente alta de patchouli combinado com cravo, musgo de carvalho e benjoim, entre outros ingredientes, foi um dos primeiros aromas orientais criado no mundo da perfumaria: doce, picante, com evocações de âmbar. 

 

Notas de saída: bergamota, laranja, neroli, coentro e especiarias.

Notas de coração: botão de cravo, ylang-ylang, rosa oriental, narciso e trevo.

Notas de fundo: patchouli, civeta, cedro, vetiver, sândalo, benjoim, âmbar, almíscar e musgo de carvalho.

 

1946 - MA GRIFFE – Carven

 

Madame Carven, originalmente Marie-Louise Carmen de Tommaso, fundou, em 1945, a sua Maison de alta costura em Paris.  O seu primeiro êxito no mundo da moda foi um vestido com riscas de verde e branco que batizou de Ma Griffe, que passou a ser o símbolo da sua marca.

Em 1946, MA GRIFFE transformou-se em perfume pelas mãos do já então célebre perfumista Jean Charles – o mesmo perfumista que havia criado TABU, de Dana.

A campanha de lançamento foi um sucesso retumbante: um avião sobrevoou o centro de Paris lançando pequenos paraquedas, listrados de verde e branco, com amostras do perfume. MA GRIFFE simbolizava a modernidade, o frescor e a juventude, valores tão necessários num mundo do pós-guerra. Foi também o primeiro perfume a ser oferecido a passageiros de primeira classe dos aviões da Air France – facto inovador, que contribuiu para a divulgação e o sucesso da marca.

 

Notas de saída: aldeídos, notas verdes, sálvia, asafoetida, limão e gardénia

Notas de coração: íris, ylang-ylang, lírio do vale, raiz de orris, jasmim, flor de laranjeira e rosa

Notas de fundo: musgo de carvalho, vetiver, ládano, styrax, benjoim, almíscar, sândalo e canela

 

1947 - MISS DIOR 

 

"Faça-me uma fragrância que cheire a amor...”, este foi o pedido do costureiro Christian Dior ao perfumista François Demachy. MISS DIOR é uma denominação da empresa Christian Dior (hoje também pertencente ao grupo francês LVHM), um calçado feminino, uma mala, e o primeiro vestido de Alta Costura criado pelo estilista que era composto de seis saias e centenas de flores de seda bordadas, que foi apresentado num desfile em 1947 – mesmo ano da criação do perfume: nada mais justo!

 

MISS DIOR sempre foi considerado um hino do amor emblemático da feminilidade, embalado, em sua origem, em frascos de cristal de Baccarat. Como declarou o perfumista, à época: "Eu criei a sua floralidade para torná-lo carnal e sugestivo. Ele tinha que explodir como aquela sensação de cair de cabeça para baixo. Uma declaração de amor para amar!" O perfume, da família dos chipres verdes, inspirou-se diretamente nos jardins da casa, em Granville, onde o costureiro Christian Dior passou a sua infância. “Eu queria criar Miss Dior para dar a sensação de fazer surgir todos os vestidos que criava de dentro do frasco”.

 

Reformulado em 2017, Miss Dior, quis refletir a mulher do novo milénio, fazendo uma revolução olfativa.   

 

Nota de saída: folhas de violeta

Nota de coração: morangos silvestres

notas de fundo: patchouli, almíscar, pau rosa, palisander

1948 - L'AIR DU TEMPS - Nina Ricci 

 

Nina Ricci é um atelier de alta costura, fundado em Paris, em 1932, por Maria "Nina" Ricci e seu filho Robert. Maria ficou conhecida pelo refinamento romântico e ultra-feminino das suas criações. Em 1946, Robert criou um departamento de perfumaria para diversificar as atividades nos tempos do pós-guerra. E foi esta a incumbência dada aos perfumistas Francis Fabron e Roure Bertrand Dupont: traduzir a elegância das peças de Madame Ricci e capturar o "ar do do tempo" ou "a tendência atual". 

 

Assim, nasceu em 1948 uma fragrância floral limpa e cintilante, harmoniosa, com notas picantes e especiarias, mais dedicado às senhoras casadas que às jovens, que usavam mais água de colónia. O frasco atual nasceu em 1951: uma graciosa garrafa de cristal com duas pombas desenhadas por Marc Lalique, filho do fundador da famosa casa de cristal Lalique. A proposta era a de representar “um turbilhão ilustrando a instabilidade do mundo, encimado por duas pombas enlaçadas celebrando a paz e o amor recuperados”. 

 

O perfume favorito da Princesa Diana foi reformulado em 2004 e continua a ser o campeão de vendas da Maison Ricci.

 

Notas de saída: manjericão, pêssego, bergamota e limão

Notas de coração: lilás, frésia, peônia, cravo, violeta, mimosa e rosa

Notas de fundo: musk, sândalo, musgo de carvalho e patchouli.

1959 - CABOCHARD - Maison Mme. Grès

 

O vestido drapeado (que ela criou com várias dobras, muito próximas umas às outras, em jersey de seda) foi uma marca registrada de Madame Grés. Alix Grès, que sempre portava grandes turbantes, apesar de seus 150 cm de altura, é a fundadora e o rosto da Maison Grès que vestiu Grace Kelly, Marlene Dietrich e Greta Garbo, entre outras.

 

Foi após sentir os aromas percebidos numa viagem à Índia, com a colaboração do perfumista Bernard Chant, que em 1959 Mme. Grés lançou CABOCHARD – que em francês significa “obstinada, teimosa”, ou seja,  a imagem perfumada de Alix. Para ela o aroma lembrava-lhe as suas caminhadas pelas longas e desertas praias indianas "com o frescor cortante do ar matinal, o calor do sândalo, um toque de flor e o conforto da brisa do mar".

 

Notas de saída: aldeídos, sálvia, especiarias, estragão, asafoetida, limão e notas frutadas

Notas de coração: gerânio, raiz de orris, rosa, jasmim e ylang-ylang

Notas de fundo: couro, musgo de carvalho, tabaco, vetiver, patchouli, sândalo, âmbar, almíscar e coco

1961 - CALÈCHE  - Hermès

 

Hermès é uma empresa, criada em 1837, para produzir arreios para cavalos. Ao longo do tempo, passou a produzir artigos de luxo. Hoje, é considerada a segunda marca mais valiosa do mundo nesta área de produtos. Em 1961, a Maison Hermès resolveu criar um perfume feminino, que possui uma imagem muito masculina e preços conhecidos como “assustadores”.

O nome do perfume, CALÈCHE, é também o nome da primeira oficina que Thierry Hermès abriu, partindo de um celeiro, onde vendia acessórios de couro para carruagens: selas, rédeas, estribos, botas direcionados à aristocracia parisiense. Em 1937, a marca apresentou o seu lenço de seda, que se tornou sucesso entre celebridades como Jacqueline Kennedy. Em 1956, a então atriz (depois Princesa do Mónaco) Grace Kelly posou para a capa da revista Life com uma mala da Hermés, que escondia a sua barriga de grávida; subitamente, mulheres de todo o mundo passaram a procurar as lojas buscando a “mala da Kelly”. A fama da Hermès, naturalmente, alcançou o seu novo produto, criado pelo perfumista Guy Robert: Calèche é um perfume que se impôs como um dos mais famosos da história, segundo a inspiração de ser “algo floral, suave, com tenacidade mas sem ser insistente”. 

 

Notas de saída: aldeído, bergamota, limão, neroli
Notas de coração: jasmim, rosa, lírio do vale, íris
Notas de fundo: cedro, sândalo, vetiver, musgo de carvalho

 

1966 - FIDJI - Guy Laroche

 

Guy Laroche era um estilista francês da alta costura, mas que teve a ousadia, já na sua primeira coleção, de introduzir cores de tecidos como laranja, rosa, coral e turquesa: uma combinação de elegância com certa ousadia. O mesmo que se deu com o seu primeiro perfume, criado por Josephine Catapano e lançado em 1966 (seguiriam-se vários como Drakkar e J´ai o). FIDJI foi batizado com o nome das ilhas do sul do Pacífico, já que sua fragrância nos remete para um ambiente ensolarado, um comportamento de liberdade, onde o frescor dos citrinos encontra a delicadeza da rosa e do jasmim, assim como fortalece a personalidade com o calor do âmbar e do patchouli.

 

Notas de saída: hyacinth, gálbano, íris, bergamota, limão e tuberosa

Notas de coração: aldeídos, jasmim, ylang-ylang, cravo, raiz de orris, violeta, rosa e notas picantes

Notas de fundo: musgo de carvalho, vetiver, sândalo, resinas, almíscar, âmbar e patchouli

 

1969 - CALANDRE - Paco Rabanne 

 

Francisco Rabaneda Cuervo nasceu no País Basco (Espanha) e sua mãe era costureira-chefe de alta-costura do famoso criador espanhol Cristóbal Balenciaga. Em consequência da Guerra Civil Espanhola, em 1937, Balenciaga leva sua Maison para Paris; a mãe de Rabanne o acompanha com a família.

 

Paco, diminutivo de Francisco, estudou na Escola Nacional de Belas Artes, em Paris, e fez esboços de vestidos para Dior e Givenchy, além de sapatos para Charles Jourdan. A sua estreia como estilista deu-se com a criação do design de joalheria para Dior, Givenchy e o próprio Balenciaga. Em 1966, abre a Maison com o seu nome; os seus icónicos vestidos de metal - ligados a seu estilismo de jóias -, permanecem emblemáticos e ajudaram a definir toda uma era da moda.

 

Lançado no mesmo ano, 1969, que o homem pisou na Lua e os jovens se entregaram ao Festival de Woodstock, CALANDRE, criado pelo perfumista Michel Hy, nasceu para quebrar regras, a começar pelo frasco desenhado por Pierre Dinand inspirado na grade frontal do radiador do automóvel (calandre em francês). 

 

Notas de saída: aldeídos, notas verdes e bergamota

Notas de coração: rosa, lírio-do-vale, raiz de orris, gerânio, jasmim e jacinto

Notas de fundo: musgo de carvalho, vetiver, almíscar, sândalo e âmbar

 

1973 - CHARLIE - Revlon 

 

O nome do lendário perfume é uma homenagem a Charles Revson, criador e diretor da Revlon. Lançado em 1973 para competir com Estée, de Estée Lauder, tinha como público-alvo as mulheres que passavam a entrar no mercado de trabalho, com bom-humor. A campanha de lançamento incluiu Naomi Sims, a primeira manequim negra a aparecer num anúncio de uma marca de cosméticos. Já os primeiros jingles de publicidade do perfume eram cantados por Bobby Short e Mel Tormé; o impacto foi tamanho que, durante três anos, CHARLIE passou a ser o perfume mais vendido do mundo. 

Nos anos seguintes, Lauren Hutton, Sharon Stone e Cindy Crawford emprestaram os seus rostos para as campanhas de publicidade, embaladas pela voz de Little Richard. Importa ressalvar que CHARLIE tornou-se uma linha de perfumes criada para mulheres e para homens.

 

notas de saída: aldeídos, hyacinth, gálbano, jasmim e gardênia.

notas de coração: lírio-do-vale, gerânio, jasmim, coentro, lírio branco e violeta.

notas de fundo: musgo de carvalho, sândalo, vetiver, almíscar e baunilha.

 

1970 - RIVE GAUCHE – Yves Saint Laurent

 

Yves Henri Donat Mathieu-Saint Laurent, esse era o nome completo do artista que entrou na história da moda e dos costumes  com apenas três letras: YSL Nascido na Argélia, em 1957, com a morte de Dior, em cujo atelier YSL já trabalhava, surge a oportunidade de levar a Maison Dior adiante. Em 1961, sempre ao lado de Pierre Bergé, com quem viveu ao longo de toda vida, abriu a sua própria Maison.

Em 1966, inaugura-se a boutique Saint Laurent Rive Gauche, mesmo ano em que nasceu a sua primeira coleção de prêt-à-porter. O perfume RIVE GAUCHE, criado pelo perfumista Michel Hy (o mesmo de Calandre), foi lançado em 1971; é mais um tributo de Saint Laurent à sua região preferida de Paris: a margem esquerda do Rio Sena, com seus bairros boémios e intelectuais. Também é um hino à mulher independente, livre, intelectual, moderna e sexy que, como seu estilo de moda, combinava o bom gosto com o conforto no vestir.

 

Notas de saída: aldeídos, madressilva, notas verdes, pêssego, bergamota, limão

Notas de coração: magnólia, íris, gardênia, jasmim, ylang-ylang, lírio do vale, rosa, gerânio

Notas de fundo: madeira de sândalo, fava tonka, âmbar, vetiver do Tahiti, almíscar, musgo de carvalho.

1975 - TATIANA - Diane von Furstenberg

 

Primeiro e também o mais icónico perfume lançado pela estilista Diane von Furstenberg, em 1975, em homenagem à filha, a Princesa Tatiane von Furstenberg, nascida em 71, foi feito para ser percebido de longe. O perfumista que assina a fragrância , um floral branco bastante ousado e assertivo, é James Bell.

A propaganda de lançamento do perfume mostrava uma enorme labareda saindo do frasco multifacetado: a ideia era essa mesmo, usar e pegar fogo! TATIANA foi criado para se destacar em nightclubs como o Studio 54, de Nova York,  no seu apogeu, um dos lugares preferidos da designer. Correu bem entre as jovens, que elegeram TATIANA como seu preferido.

 

Notas de saída: jacinto, flor de laranjeira africana e bergamota

Notas de coração: jasmim, gardênia, tuberosa, narciso e rosa

Notas de fundo: almíscar, âmbar, sândalo e civeta

1979 – ACQUA FRESCA – O BOTICÁRIO

A história dessa fragrância começa com o desejo de um jovem bioquímico, Miguel Krigsner, que montou uma farmácia de manipulação em 1977 e, logo depois, fundou a marca O Boticário, que passou a criar e vender cosméticos. Em 1979, o empresário começou a colocar em prática o sonho de lançar uma colônia e, com a perfumista Maria Elisabeth Martins deOliveira, criou ACQUA FRESCA, uma inovação no mercado brasileiro de perfumes.
Os frascos, chamados de ânforas, viriam a ser um ícone permanente da marca; ACQUA FRESCA, chegou a ocupar a posição de segunda fragrância mais vendida no país, ficando atrás apenas do clássico Chanel N° 5.

Notas de topo: bergamota, limão siciliano, agulhas de pinho.

Notas do meio: flor de laranjeira, jasmim, lavanda, alecrim.
Notas de base: musgo de carvalho, cedro, almíscar, patchouli

 

1981 - EAU D´HADRIEN - Annick Goutal

 

Aos 16 anos, a francesa Annick já era uma talentosa pianista quando, na revolução dos comportamentos dos anos 60, a rebeldia da juventude levou-a a contrariar a família e abandonar a carreira. Foi para Grasse, a cidade francesa dirigida à perfumaria, onde conheceu o perfumista Henri Sorsana, da Casa Robertet, que abriu os seus olhos – e o nariz! – ao seu verdadeiro talento: o olfato apurado para os perfumes. Foi amor à primeira vista com a perfumaria.

Em 1979, Annick tornou-se designer de perfumes. As notas musicais foram substituídas pelas notas das fragrâncias. EAU D’HADRIEN foi criado por ela e por Mathieu Nardin, de Robertet, em 1981, baseado nas leituras da famosa obra Mémoires d’Hadrien (Memórias de Adriano) da escritora Marguerite Yourcenar.  Este também foi o ano em que Annick abriu sua primeira loja no bairro de Saint Germain des Prés, em Paris; nos anos seguintes, foram lançadas dezenas de marcas de perfumes criadas por Goutal.

 

Notas de saída: limão, bergamota, aldeídos

Notas de coração: limão, tangerina e ylang-ylang

Nota de fundo: cipreste

1985 - BEAUTIFUL - Estée Lauder 

 

“Eu nunca sonhei com o sucesso; eu trabalhei para ele”, afirmou Estée Lauder, filha de imigrantes da Hungria nos Estados Unidos. O curioso foi que um tio também emigrou e foi morar com a família, onde fabricava cremes cosméticos para a pele na cozinha da casa. Aí, Estée começou o seu ofício.

 

Estée passou a conhecer o desejo feminino, de forma emocional e profissional. As suas frases marcam esta percepção sensível: "Beleza é uma questão de atitude. Não há mulheres feias, apenas mulheres que não se cuidam ou que não acreditam ser atraentes".

Outra: “Nunca subestime nenhuma mulher pelo seu desejo de beleza.”

 

Lauder foi o ícone da moderna empresária norte-americana e, em 1988, a revista Time a considerou como “uma das empresárias mais influentes do século XX”. Os seus negócios expandiram-se para toda a área de cosméticos, incluindo perfumes, claro, como o Estée, lançado em 1985, a partir da criação dos perfumistas Sophia Grojsman, Bernard Chant e Max Gavarry.  Lauder lançou perfumes ao longo de toda a sua carreira como o Azurée  em 1969, e o Alliage, em 1972, que foi a primeira fragrância da categoria desportiva. Um detalhe interessante nas suas inovadoras técnicas de venda: foi ela quem teria inventado o conceito da "amostra gratis", uma estratégia usada até hoje.

 

notas de saída: bergamota, limão, gálbano, cassis

notas de coração: flor de laranjeira, jasmim, tuberosa, ylang-ylang

notas de fundo: baunilha, cedro, sândalo, vetiver

1992 - ANGEL - Thierry Mugler 

 

Thierry Mugler é, mais que estilista de moda, um artista polimórfico, completo. Começou como dançarino em Estrasburgo, tornou-se fotógrafo com imagens provocantes, ousadas e sensuais. Daí à criação de sua marca de moda foi um pulo e suas criações arrojadas foram usadas por Lady Gaga, Beyoncé e David Bowie. Em 1992, Thiery reuniu-se à marca de produtos cosméticos Clarins para criar seu próprio perfume: Angel.

Angel foi elaborado por Olivier Cresp, perfumista famoso também por criar o CH, de Carolina Herrera. O resultado fez nascer esta que é considerada a primeira fragrância 100% gourmand, que remete ao cheiro de doces com notas de mel, chocolate, baunilha e caramelo. Some-se à evocação da infância um certo ímpeto de juventude, presente também em suas criações de moda.

O frasco, em formato de estrela azul celeste, talhado como um diamante e polido à mão, foi desenhado pelo atelier Verreries Brosse. A novidade é que o frasco, de rara beleza, pode ser recarregado nas lojas do estilista, o que constituiu uma novidade que permanece até os dias de hoje. 

Notas de saída: melão, coco, laranja mandarim, cássia, jasmim, bergamota e algodão doce

Notas de coração: mel, damasco, amora, ameixa, orquídea, pêssego, jasmim, lírio do campo, frutas vermelhas e rosa

Notas de fundo: fava tonka, âmbar, patchouli, almíscar, baunilha, chocolate escuro e caramelo

 

1992 - L´EAU D´ISSEY – Issey Miyake

 

Miyake nasceu em Hiroshima, no Japão, em 1938. Estudou na Universidade de Tóquio e, partindo para Paris, trabalhou com os estilistas Guy Laroche e Givenchy. Mudou-se para Nova York onde conviveu com artistas como Christo e Rauschenberg, orientados para novos conceitos de arte como o pop. A sua preocupação maior, para além do estilo, era a flexibilidade e movimento das roupas: ele estudou como os dançarinos se moviam e quis criar roupas que também configurassem estes movimentos da dança. Daí nasceu seu famoso plissado.

 

O perfume icônico de Issey Miyake não poderia ser diferente, a começar pela proposta: Miyake queria manter o mesmo espírito de pureza de todas as suas criações e que o aroma fosse o de... água.  Explicou: "a mais bela e pura fragrância do mundo: o aroma da água na pele de uma mulher". O perfume foi criado pelo perfumista Jacques Cavallier. Um dos mais notáveis fotógrafos de moda do século XX, Irving Penn, fez a campanha de lançamento, em 1992, onde o frasco aparece sozinho nas imagens, sem nenhum elemento extra nem musas.

 

O nome L’EAU D’ISSEY (Água de Issey) é um trocadilho; em francês, soa idêntico a l'odyssée (A Odisséia). A garrafa, projetada pelo próprio estilista, é baseada na vista da lua por detrás da Torre Eiffel – a mesma vista da janela de seu apartamento, em Paris.

 

Notas de saída: lotus, melão, frésia, água de rosas, rosa, calone e ciclamen

Notas de coração: lírio do vale, lírio, peônia aquática e cravo

Notas de fundo: almíscar, tuberosa, madeiras exóticas, osmanthus, cedro, sândalo e âmbar

 

1994 - CK ONE – Calvin Klein

 

Lançado em 1994, CK ONE é uma fragrância unisex que, de pronto, conquistou o público jovem, principalmente por conta de sua campanha publicitária, que valorizava a rebeldia, a androgenia, a mistura racial. O conceito era esse: um bom perfume, uma fragrância moderna, não poderia ser definida por sexo. Na verdade, não existe nenhuma fórmula química que divida os perfumes em masculinos ou femininos; trata-se mais de uma questão cultural, social, de hábito. Durante anos, fomos convencidos que os aromas doces e florais são reservados apenas às mulheres, assim como aquelas ásperas ou amadeiradas, aos homens. 

 

Daí, uma das principais razões da popularidade do CK One: a pele entra como elemento final na confecção do perfume, já que a reação nela cria aromas diferentes, variando de pessoa para pessoa. É para todos e único, ao mesmo tempo; a pele e a química do corpo desempenham elemento-chave nessa composição. Criada por Alberto Morillas e Harry Fremont, não foi a primeira fragrância unisex do mercado, mas com o CK One esta tendência tornou-se popular, tornando-se símbolo de mente aberta. O seu frasco branco, de design limpo (desprovido de símbolos), evocava a não-diferenciação de gostos e sexo.

 

Notas de saída: limão, bergamota, abacaxi, tangerina, cardamomo e mamão papaia

Notas de coração: lírios do vale, jasmim, violeta, noz moscada, rosa, raíz de orris ou lírio florentino e frésias

Notas de fundo: almíscar, cedro, sândalo, musgo de carvalho, âmbar e chá verde

 

1995 - POÊME - Lancôme 

 

Lançado em 1995, é o 30o. perfume da marca de produtos cosméticos Lancôme, na busca de uma mulher mais madura (o próprio site da marca diz que “a fragrância é recomendada para mulheres com mais de 40 anos de idade”), mas ainda repleta de busca de romantismo. 

Criada pelo perfumista Jacques Cavallier, ele fez um buquê floral (ou “pirâmide olfativa”) com mais de 20 flores juntas, entre as quais a papoula azul do Himalaia e a rosa clássica. 

 

Notas de saída: narciso, datura, pêssego, ameixa, papoula do Himalaia, tangerina, cassis ou groselha preta, bergamota

Notas de coração: mimosa, flor de baunilha, tuberosa, ylang ylang, flor de laranjeira, jasmim, frésia, heliotrópio, rosa e couro

Notas de fundo: baunilha, flor de laranjeira, âmbar, fava tonka, almíscar e cedro.

1999 - LIME BASIL & MANDARIN - Jo Malone 

 

Nascida em 1964, na Inglaterra, Jo comecou sua vida profissional como florista. A Jo Malone abriu suas portas em Londres, em 1994 com a proposta de oferecer fragrâncias simples, embora sofisticadas, que pudessem ser usadas por homens, mulheres e  mesmo nos ambientes – é o caso de LIME BASIL & MANDARIN, criado por Jo, com notas cítricas e de tangerinas acabadas de serem cortadas.

O slogan da marca é " For her. For him. For home". O sucesso veio muito rápido e, em 1999, a marca foi vendida ao grupo Estée Lauder, mas Jo foi mantida como diretora criativa da marca até 2006. Jo possuía um diferencial quase único: o de permitir a suas clientes descobrir a própria fragrância de encantamento pessoal, misturando essências, a partir da formação de pessoal especializado nesta técnica em cada loja. Jo Malone foi capaz de criar aromas para tudo que nos envolve: a nossa casa, o nosso escritório, a pessoa que amamos, nós mesmos – através de velas aromáticas e uma gama enorme de produtos que inclui, é claro, perfumes!

notas de saída: lima, tangerina, bergamota

notas de coração: manjericão, tomilho, íris e lilás

notas de fundo: vetiver e patchouli ou oriza

1999 - LAVANDA – Castelbel

 

Fundada em em Castêlo da Maia, Castelbel é uma soma do nome da cidade ao sentido da beleza. Tudo começou com um professor de química da Universidade do Porto, Aquiles Barros, que foi desafiado a criar sabonetes perfumados para uma marca norte-americana.  Começaram por produzir sabonetes artesanais com apenas 6 funcionários e, hoje, com 200 funcionários (90% mulheres!) tem um leque grande de produtos: velas, difusores, cremes e loções e perfumes – presentes em mais de 50 países.

 

Com o lema de "luxo acessível", matérias-primas exclusivas e formulações cuidadas, utilizam centenas de perfumes diferentes, 100% produzidos em Portugal, inspirados no cenário do Vale do Douro, captando aromas e cores do país simultaneamente tradicional e cosmopolita. Assim a Castelbel apresenta-se: ”Temos em nós o mesmo espírito que nos fez descobrir novos mundos e isso fez-nos trilhar um caminho de procura de oportunidades e de desafios que nunca recusamos”.

 

A EAU DE TOILETTE CASTELBEL LAVANDA é uma fragrância relaxante e profundamente floral, mais suave que um perfume tradicional

 

2004 - DOURO – Penhaligon

 

A marca Croft é uma das mais ilustres de todas as casas produtoras de vinho do Porto. Fundada em 1588, é a empresa em actividade mais antiga da área e é particularmente conhecida pelos seus vinhos do Porto Vintage. 

 

Da família inglesa Croft passamos à família Penhaligon, que abriu a sua primeira loja, na altura barbearia e perfumaria, em Londres, em 1870. Apenas dois anos depois, William Penhaligon cria a sua primeira fragrância Hamann Bouquet , inspirada nos aromas do vapor dos banhos Hammam, com notas de alecrim, rosa, incenso e madeiras queimadas. 

 

Em 1911, a então tradicional casa Penhaligon criou DOURO EAU DE PORTUGAL uma colónia profunda e intensamente masculina, feita por medida para Sir Percy Croft da dinastia Croft. Toda esta narrativa leva à DOURO de Penhaligon 's, um perfume masculino, lançado em 2004. O perfumista que assina esta fragrância é Michael Pickthall, com notas de topo bastante cítricas. 

 

 

Notas de saída: limão, lima, tangerina

Notas de coração: flor de laranjeira e lírio-do-vale

Notas de fundo: carvalho, ládano, almíscar e sândalo

2017 – AREIA SALGADA – Comporta Perfumes

 

A perfumaria de luxo portuguesa tem no empresário Pedro Dias um empreendedor; ele convidou quatro consagrados perfumistas, internacionalmente consagrados (Luca Maffei, Béatrice Aguilar, Daniel Josier e Stéphanie Bakouche) a criar uma linha exclusiva de fragrâncias. Inspirados pelas experiências e memórias das praias de areia branca da Comporta, Costa Alentejana, surgiu a marca Comporta Perfumes.

 

AREIA SALGADA é a tradução da sensação que um destes perfumistas, o espanhol Daniel Josier, teve na contemplação dos aromas e sensações proporcionadas pela longa praia de areia branca ao  pôr do sol. O resultado é um perfume com toques ozónicos, citrinos e verdes. Uma interpretação pessoal da sensação de liberdade e frescura que se tem na região da Comporta.


 

Notas de saída: elemi, maçã, tomilho, bergamota, cipreste

Notas de coração: cedro, jasmim, lírio-do-vale

Notas de fundo: âmbar, couro, patchouli

2017 - ACQUA DI PORTOKÁLI – Lourenço Lucena

 

ACQUA DI PORTOKÁLI é uma composição que presta homenagem a uma das mais aromáticas famílias olfactivas, os citrinos, num eau de parfum marcante, em que se destacam a bergamota, o limão e a laranja nas primeiras notas. Segue-se a sensual rosa

branca que compensa e equilibra os citrinos, complementada pela madeira de cedro que fecha a composição de uma forma consistente. Nesse sentido, a eau de parfum é uma composição simples e genuína para homens e mulheres que se encantam com os prazeres da vida. Com uma tiragem limitada a 500 exemplares, ACQUA DI PORTOKÁLI entra na nova categoria que tem ganho força de “perfumes de autor”.

O frasco – com design de Blug – veste-se de preto; na frente, o seu nome serigrafado a frio no tom de laranja, numa alusão às laranjas doces e sumarentas, amadurecidas pelo sol de Portugal. O perfumista-criador é Lourenço Lucena, diplomado em Composição de

Perfumes pela Cinquième Sens, em Paris, e o único nez português membro da Société Française des Parfumeurs. Ao longo dos anos tem desenvolvido, ainda, perfumes para marcas e empresas em Portugal e no estrangeiro; em paralelo, organiza jantares perfumados

inspirados em pessoas, cidades, países ou marcas. Nestes jantares, os participantes descobrem os aromas que associados ao tema do jantar através de pequenas touches de papel e, também, nas criações que o Chef escolhido decidiu incorporar nas suas criações:

Uma experiência sensorial que partilha paixão e conhecimento pelo mundo dos aromas.